Brasil avança na pesquisa e processamento de terras raras

O crescimento acima da medida das indústrias que usam tecnologia em suas linhas de montagem, como as fabricantes de eletroeletrônicos, automóveis e máquinas, traz otimismo ao setor mineral. O representante do Ministério das Minas e Energia, José Luiz Amarante Araújo, acredita que o avanço tecnológico vai aumentar o consumo de terras raras, minerais utilizados na fabricação de telas celulares, computadores, geradores eólicos dentre outras aplicações.

Segundo Araújo, se consideramos o potencial da aplicação de novas tecnologias na vida do homem contemporâneo, a utilização das terras raras, um conjunto de 17 elementos químicos, apresenta boas perspectivas. “As expectativas são de aumento de demanda em função da expansão da tecnologia”, afirmou o representante do Ministério das Minas e Energia, que moderou o painel “Pesquisa, desenvolvimento e inovação da cadeia produtiva de elementos de terras raras”, no 17° Congresso Brasileiro de Mineração, que aconteceu paralelamente à Exposição Internacional de Mineração (EXPOSIBRAM).

A partir do Programa de Revitalização da Indústria Mineral Brasileira, apresentado pelo Governo Federal, Araújo acredita que o segmento poderá ser afetado positivamente. A cadeia produtiva de terras raras é hoje dominada pela China, que é o maior produtor e também maior consumidor do mundo do mineral. Apesar do Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, equivalente a 18% das reservas globais, a produção brasileira atende menos de 1% da produção mundial.

Para o superintendente de Operações da Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia (CBMM), que também participou do debate, o custo de produção no Brasil é alto e prejudica a participação no mercado internacional. “O desafio para o Brasil não é tecnológico. O país tem tecnologia para produção, mas os custos não são competitivos”, afirmou. A CBMM mantém frentes para produção de terras raras em Araxá (MG).

Inovação

O presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Marco Antônio Soares Castello Branco Castello Branco, apresentou no painel os novos projetos da Codemig. Segundo ele, a Companhia está preparando a construção do primeiro laboratório-fábrica de imãs de terras raras, que será desenvolvido pela Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). “Os ímãs de terras raras constituem um dos grandes responsáveis pelo aumento da eficiência energética”, afirmou.

A pesquisadora, professora e engenheira química Gisele Azimi, da Universidade de Toronto, diz acompanhar com atenção os movimentos mundiais em torno da produção e pesquisa dos elementos de terras raras. Segundo ela, se o Brasil investir mais em tecnologia para exploração de minerais, poderá se transformar em um dos maiores players do mercado. “Existe um potencial enorme de crescimento para o Brasil”, afirma.

Apesar da produção de terras raras ser um processo bastante complexo, Gisele Azimi acredita que as empresa devem investir na atividade. Segundo a pesquisadora, as perspectivas de crescimento da demanda são animadoras, especialmente para atender à produção de carros elétricos e sistemas para produção de energia eólica.

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