Artigo | Um novo futuro para a mineração no Brasil

Por Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração

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Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração
Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração

Em 25 de janeiro completou-se um ano do rompimento da barragem em Brumadinho, com a morte de 270 pessoas e repercussões ambientais e socioeconômicas. Esse drama abalou a sociedade e o setor mineral. Afinal, a mineração é feita por pessoas. Elas sentem a perda de colegas e de familiares, sofrem com a dor alheia e clamam por esclarecimentos das causas e pela punição dos responsáveis.

Assim como a Vale, que presta contas das ações de reparação e amparo às pessoas, o setor mineral apresenta suas considerações sobre o ocorrido e informa o que está fazendo para reconquistar a confiança da sociedade, uma vez que a atividade minerária é de utilidade pública e deve ser exercida de modo seguro.

A indústria da mineração considera que o período entre o rompimento da barragem da Samarco (2015) e esse último não foi suficiente para equacionar questões, técnicas e regulatórias, de modo a evitar a tragédia de 2019. Por outro lado, fizeram o setor mineral iniciar uma grande transformação em seus processos, com ações de curto e de longo prazo, coordenada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

É consenso nessa indústria que as vítimas e as repercussões não serão esquecidas. São alertas gravíssimos, os quais exigem que se adote, com maior ênfase, práticas voltadas a elevar a qualidade da gestão de riscos, da segurança operacional e das iniciativas sustentáveis. Este tem sido o foco das mineradoras.

As alterações nas leis que permitem maior segurança operacional têm sido cumpridas pelas mineradoras, como a desmobilização de barragens construídas pelo método “a montante”. Há, ainda, estudos para ampliar a disposição de rejeitos a seco.

Para engajar as mineradoras nesse processo de transformação, o Ibram definiu uma série de compromissos conectados à evolução dos indicadores de sustentabilidade em 12 áreas, como gestão de rejeitos, uso de água e energia, saúde e segurança ocupacional. O relacionamento com a sociedade é outro tema, e as metas são buscar maior aproximação e transparência, além de ampliar o conhecimento da população sobre as práticas, a governança e os valores da indústria de mineração.

Paralelamente, essa indústria produz conhecimento técnico com base em boas práticas internacionais, como o guia gratuito para orientar a gestão de rejeitos minerais. Outro exemplo é a implementação do projeto TSM Brasil, padrão de performance da indústria mineral de origem canadense, voltado a reforçar as práticas sustentáveis pelo setor e que pretende ser um diferencial de qualidade e segurança.

Além disso, as mineradoras criaram há um ano o “Mining Hub”, espaço de inovação aberta, onde atuam colaborativamente startups, empresas de base tecnológica, mineradoras e seus fornecedores para desenvolver soluções a temas estratégicos, em especial segurança operacional e destinação de rejeitos.

Essas são amostras de como o setor age para reestruturar a atividade minerária, buscando a plena aderência às expectativas da coletividade.

Há que se compreender a gravidade dos fatos mencionados, e que se investigue e se puna os responsáveis, mas a indústria da mineração defende que não se deve simplesmente condenar essa atividade produtiva como um todo.

O bom diálogo democrático precisa evidenciar a racionalidade na hora de avaliar como o Brasil deve exercer e se beneficiar da mineração sustentável, cada vez mais avançada, competitiva e produtiva. O setor está engajado em debater como se deve construir a mineração do futuro e qual será o futuro da mineração no país.

O artigo foi publicado no Jornal Folha de S. Paulo na data de 29/1/2020

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