Garimpos do Tapajós já extraíram 600 toneladas

Em meio século de garimpo na Província Mineral do Tapajós, a produção de ouro atingiu a marca de 600 toneladas, segundo cálculos não oficiais. Legalmente, saíram do Tapajós 280 toneladas. Embora elevados os volumes, a produção de tamanha riqueza foi insuficiente para criar desenvolvimento social sustentado. Trazido para valor presente, as 600 toneladas de ouro produzidas na região podem ser avaliadas pela cotação atual do metal em US$ 1,2 trilhão. Mas tanto dinheiro não fez a fortuna de praticamente ninguém.“Ouro é uma febre muito forte. É pior que malária”, brinca Dimas de Barros Guarin, 63 anos, um dos mais antigos garimpeiros do Tapajós. Guarin chegou ao Cuiú-Cuiú, um dos principais garimpos da região, em 1972, não saiu mais. Guarin, como tantos, viveu em nome do ouro. “Garimpeiro se esquece do passado, do dia em que não viu um farelo. Quando consegue ouro, quer buscar mais logo adiante”, afirma.Joseph “Babi” é a evidência de uma situação precária. Com 92 anos, vive na vila de Cuiú-Cuiú praticamente sozinho. Nascido na Guiana Inglesa, em 1914, o garimpeiro foi um dos primeiros a chegar ao Tapajós. Babi não tem idéia de quanto ouro passou por suas mãos. Vive numa casa vazia, próxima de onde uma das empresas que acabam de chegar trabalha em ritmo acelerado atrás do metal.A crise social do garimpo, agravada com a redução da produção do minério, tem preocupado autoridades locais e o governo federal. A Secretaria Municipal de Mineração e Meio Ambiente do município de Itaituba criou um programa chamado “Cuide do seu Tesouro”. O plano é ensinar aos garimpeiros como cuidar da saúde, do ambiente e da própria atividade.O governo federal também promete lançar nos próximos meses uma série de projetos para defesa e recuperação da atividade garimpeira. O investimento é estimado em R$ 2,5 milhões. Prevê levantamento completo dos mais de 200 garimpos que ainda existem na região, o mapeamento geológico e educação ambiental.Segundo Tasso Azevedo, diretor do Serviço Florestal Brasileiro, órgão do Ministério do Meio Ambiente , o plano foi criado como forma de compensar medidas de restrição criadas pelo governo ao criar o Distrito Florestal Sustentável, no Sudoeste do Pará. O governo anunciou que pretende induzir os garimpeiros à atividade florestal. Azevedo diz que o manejo de floresta servirá como alternativa ao fim da atividade no garimpo.

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