Entrevista | Vicente Lobo – “O papel do engenheiro está cada vez mais dinâmico”


Vicente Lôbo, Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia – crédito: divulgação

Em mais de seis anos de existência essa é a primeira vez que o cargo de Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia é ocupado por um Engenheiro de Minas. Vicente Lôbo assumiu a secretaria em maio de 2016 e atualmente trabalha para o fortalecimento do setor.

Em comemoração ao dia do Engenheiro de Minas, celebrado em 10 de julho, o Portal da Mineração realizou uma série exclusiva com o Secretário. Confira a primeira parte da entrevista.

Portal da Mineração – Como o senhor se sente sendo o primeiro engenheiro de minas a ocupar o cargo de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia?

 Vicente Lôbo – Eu me sinto extremamente honrado. Cumprir um dever cívico e servir o meu País é uma dádiva. Como Engenheiro de Minas eu me sinto muito honrado e muito feliz por essa oportunidade.

Portal da Mineração – O que o levou a escolha do curso de Engenharia de Minas? Como era o mercado de trabalho naquela época?

Vicente Lôbo – Toda a minha formação mineral vem da minha família. Eu tive dois primos que eram Engenheiros de Minas e meu pai também trabalhou no setor. Sempre tive um envolvimento muito grande com a mineração. Na época que me formei a possibilidade de emprego era pequena. O setor mineral sempre teve períodos dadivosos, seguidos por outros difíceis.

Comecei minha carreira na Paulo Abib Engenharia, uma empresa de projetos minerais em Belo Horizonte (MG). A dificuldade sempre existe no primeiro emprego, acho que a primeira experiência é sempre difícil. Cursar Engenharia de Minas e abraçar essa carreira é, na minha opinião, uma satisfação e uma alegria.

Portal da Mineração – Para você, que perfil um Engenheiro de Minas deve apresentar?

Vicente Lôbo –O papel do engenheiro está cada vez mais dinâmico. A engenharia é uma ciência muito plural e, embora tenhamos uma visão matemática e exata, ela cria uma amplitude muito grande, e temos que estar sempre prontos para qualquer coisa.

A Engenharia de Minas nos traz uma formação geológica muito intensa, mas também formação mecânica, elétrica, civil… É generalista e carrega também a visão da economicidade – temos que enxergar um bem mineral e agregar valor a ele.

Temos que projetar um recurso e transformá-lo em reserva, criar valor econômico entender cada etapa de todos os processos – da extração, tratamento de materiais, de minerais e de todo o desenvolvimento da cadeia. É uma engenharia que precisa e que torna absolutamente determinante ter uma visão holística da cadeia, desde a matéria prima até o desenvolvimento da indústria. É uma ciência fantástica e, embora tenhamos máquinas e tecnologia, o que faz diferença são as pessoas!

Acredito também que o exercício do trabalho te coloca sempre na necessidade de ter uma dedicação absoluta. Em minha opinião, um grande diferencial dos bons profissionais é ter uma interlocução com as pessoas, ter capacidade de ouvir, de conquistar e, principalmente, de formar um time.

Em qualquer profissão mas, principalmente no ambiente da mineração, se formarmos um time forte, a chance de ganhar o jogo é muito grande! É preciso estabelecer um relacionamento de envolvimento, de compromisso, de desafio e procurar a ter muita criatividade nas situações diversas. Temos que buscar constantemente “pensar fora da caixa” e deixar de lado a visão exclusivamente acadêmica. Precisamos nos juntar a grandes profissionais e sempre buscar as melhores alternativas e soluções, como um time.

 

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