Entrevista | Vicente Lôbo “O setor terá que adotar um novo modelo de política e de governança mineral”


Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Vicente Lôbo – crédito: divulgação

Em entrevistas exclusivas realizada pelo Portal da Mineração, o Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Vicente Lôbo, comentou a importância da criação da Agência de Mineração (ANM). Confira!

Portal da Mineração – Quais os maiores desafios atuais para a indústria mineral brasileira? O que mudou com a criação de uma agência nacional de mineração?

Vicente Lôbo – Na minha visão a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM) foi uma grande saída técnica. No entanto, criar uma Agência para deixar amarrada ao Governo não funciona. Acredito que a ANM tem que ser um organismo independente da política do governo. É como uma empresa, sem nenhuma obrigação e comprometimento com as amarras que tem o poder público. A Agência tem que gerar seu caixa, pagar o salário dos seus empregados e realizar o trabalho de fiscalização com disciplina e técnica.

A Agência é um passo extraordinário mas, na minha perspectiva, vamos ter que construí-la juntos. Estamos trabalhando nesse momento com a indicação da primeira diretoria com pessoas que tem rastreabilidade, ética… Por isso que é importante que o setor esteja junto, que cobre e que tenhamos gente técnica, de base, de formação e ética. É por isso que é importante que as mineradoras sempre cumpram o que está previsto nas leis. Se definirmos políticas de não facilidades em relação a pessoas da Agência, vamos criar um trabalho de responsabilidade.

O modelo de autarquia estava esgotado. Acho que a ANM foi uma das coisas mais bacanas que já fizemos aqui, mas o resultado será de médio/longo prazo. Não criamos a Agência dos Sonhos, criamos a Agência possível, dentro as limitações que temos.

Sabemos que a ANM não tem uma estrutura perfeita e que ela vai ter que buscar se capitalizar para se aparelhar. Além disso, terá que reunir pessoas competentes, com visão, fazer planejamento estratégico, definir uma política de desenvolvimento de Tecnologia de Informação e criar modelos de gestão.Também será necessário criar uma metodologia de gestão em relação à documentação passada que está rodando na casa há dez, 20 anos… As ações terão que ser ágeis e o setor deverá cobrar.

Precisamos de uma gestão séria, independente, responsável e que tenha uma boa interlocução com a mineração. Se permitirmos condutas indevidas, manchamos o setor inteiro. Não podemos nos auto contaminar e temos que ser absolutamente vigilantes em relação a isso.

Vejo a ANM como um dos órgãos do futuro! Ao longo da minha experiência pude perceber que o serviço público tem muita gente competente, com visão técnica e de gestão.

É importante que essa primeira diretoria defina uma visão de médio e longo prazo, crie um modelo de gestão, modernize os agentes… Nunca vamos ter um quadro aparelhado para ter conforto – sempre faltará gente. Vamos ter que aumentar o índice de automação, criar prudência e seletividade nas organizações e buscar convênios com escolas técnicas, universidades e outros órgãos do governo. A mineração vai passar, necessariamente, por um novo modelo de política e governança mineral.

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