Fornecedores e consumidores reúnem-se em fórum da ISO sobre Minério de Ferro


Delegação brasileira em Shenyang na China – crédito: divulgação

Representantes das empresas fornecedoras e consumidoras de minério de ferro reuniram-se em Shenyang na China, em agosto deste ano, para discutir o desenvolvimento e revisão das normas técnicas da ISO destinadas a qualificar, e daí valorar, o minério de ferro na interface comercial. Essas reuniões ocorrem apenas a cada dois anos, ora num país fornecedor, ora num consumidor de minério de ferro, e são organizadas pelo TC 102 – o Comitê Técnico da ISO responsável pelo desenvolvimento das normas técnicas ISO de interesse do comércio internacional de minério de ferro.  A delegação brasileira foi composta com especialistas do IBRAM-CONIM, VALE, CSN, FLSMITH e ITAK. Participaram também do evento delegações da África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Canadá, China, Holanda, Japão e Suécia.

Em Shenyang foram debatidos 36 assuntos técnicos, mas três itens, principalmente, exigiram redobrada atenção e minucioso trabalho de preparação dos especialistas brasileiros, devido a seu impacto muito direto na comercialização. Tais itens foram: a proposta australiana para modificar a atual norma (ISO 3087) de determinação da umidade da carga dos navios e duas propostas chinesas para novas normas para determinação do teor de ferro do minério. Após intensas discussões, os delegados concordaram com a argumentação apresentada pelo Brasil de que os resultados dos interlaboratoriais internacionais realizados até o momento, para validação das normas propostas, não possibilitaram ainda conclusões estatisticamente seguras. Assim, mais um programa de testes internacionais deverá ser conduzido ao longo do próximo biênio.

Impacto das normas ISO no faturamento das empresas de minério de ferro

Conforme enfatiza Rejane Carvalho, coordenadora do Comitê para a Normalização Internacional em Mineração do IBRAM (CONIM), o tema, embora técnico, gera forte impacto comercial, pois mesmo um pequeno erro sistemático na determinação da qualidade/valor do minério, motivado por uma norma eventualmente tendenciosa, será multiplicado pelo enorme volume de minério comercializado. Por isto, as empresas brasileiras de minério de ferro vêm participando muito ativamente dos trabalhos de desenvolvimento e revisão das normas ISO no âmbito do TC 102, a fim de assegurar a defesa de seus interesses. Rejane explica que esta participação vem sendo coordenada pelo IBRAM desde a década de 90, por solicitação das empresas envolvidas.


Delegação brasileira em Shenyang na China – crédito: divulgação

Saiba mais sobre o Comitê Técnico da ISO de Minério de Ferro (ISO/TC 102)

Por serem voltadas para a interface comercial, as normas ISO tem que cobrir as necessidades de qualificação do minério ao longo de todo o processo de comercialização, ou seja, desde o embarque do minério no porto até a previsão de seu comportamento dentro dos altos-fornos e reatores de redução direta. Assim, o TC 102 está estruturado com três Subcomitês, cada qual cobrindo uma parte deste processo:

Subcomitê 1: É o responsável pelo desenvolvimento/aprimoramento/revisão das normas que especificam os procedimentos tanto para amostragem do minério ao longo do carregamento do navio, quanto para a preparação da amostra enviada aos laboratórios para as análises químicas e testes físicos e metalúrgicos de qualificação do minério. Estas normas têm que assegurar, por exemplo, que uma amostra de menos de 1 g, usada no laboratório para determinar a composição química do minério comercializado, deve ser estatisticamente representativa da carga de navios de até 400 mil toneladas.

Subcomitê 2: É o responsável pelas normas que determinam a composição química do minério, ou seja, pelo conjunto de normas que quantificam os teores de elementos úteis (Fe, FeO), impurezas (SiO2, Al2O3 etc.) e elementos deletérios (P, S, álcalis, metais pesados etc) do minério.

Subcomitê 3: É o responsável pelas normas de testes e ensaios para definir tanto a resistência física, quanto a qualidade metalúrgica do minério. Os resultados destes testes e ensaios antecipam qual a geração de finos esperada no manuseio e transporte do minério, bem como seu desempenho no alto-forno e nos reatores de redução direta.

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