Referência da mineração brasileira,​ Eliezer Batista morre no Rio aos 94 anos

Formado na escola de Engenharia da Universidade do Paraná, em 1948, Eliezer esteve à frente da Vale e ocupou o cargo de ministro de Minas e Energia durante o governo João Goulart

O empresário Eliezer Batista, ex-presidente da Vale, morreu nesta segunda-feira (18/6), aos 94 anos, no Rio de Janeiro (RJ). Formado em Engenharia Civil, Eliezer foi o primeiro empregado de carreira a ocupar o principal posto na empresa. Presidente por duas vezes, ele preparou a então Companhia Vale do Rio Doce para o crescimento que ocorreria a partir da década de 1980, criando uma estratégia de comercialização de minério em grandes volumes e a longo prazo com as siderúrgicas japonesas.

Eliezer Batista também assumiu vários cargos públicos, entre eles o​ de ministro de Minas e Energia durante o governo João Goulart, de secretário de Assuntos Estratégicos  ​na gestão ​de Fernando Collor de Mello e conselheiro  ​no governo ​ de Fernando Henrique Cardoso.

História na  Vale

​Em sua primeira passagem pela presidência da Vale (1961-1964) para dar suporte ao crescimento, Eliezer idealizou o Porto de Tubarão, no Espírito Santo (ES), dada a necessidade de um porto capaz de receber navios de até 150 mil toneladas – ainda que a maioria da frota mundial não passasse de 60 mil toneladas. A novidade permitiu dobrar o volume de exportações da Vale. Nesse período, Eliezer também era ministro de Minas e Energia (1962- 1964), acumulando os dois cargos.
Eliezer Batista foi nomeado presidente da Vale aos 36 anos pelo presidente Jânio Quadros, cargo que ocupou de 1961 a 1964. Em 1962, a Vale assinou os primeiros contratos de longo prazo com dez siderúrgicas japonesas, que previam o fornecimento de 50 milhões de toneladas de minério de ferro por um período de 15 anos. Em troca, os japoneses ajudaram a construir o Porto de Tubarão.

O engenheiro da pequena cidade mineira de Nova Era só voltaria à Vale em 1979. Seu principal desafio: implantar o Projeto Grande Carajás, no meio da selva amazônica. O dinheiro nacional estava escasso. A segunda Crise do Petróleo batia à porta. Eliezer não desistiu e, por três vezes, foi ao Banco Mundial em busca de um empréstimo até  convencer  o  presidente do banco, Robert MacNamara, ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos nos governos de John Kennedy e de Lyndon Johnson, a liberar o dinheiro.

Carajás foi orçado em US$ 4,2 bilhões. Mas, graças à organização e ao senso de responsabilidade pública dos envolvidos na empreitada, todas as obras previstas – mina, ferrovia e porto, além de todo o incremento nas áreas social e de infraestrutura – custaram US$ 2,8 bilhões. Ressalte-se, tudo entregue dentro dos prazos previstos.

Em 1986, Eliezer deixou a presidência da Vale. Vinte anos depois, em 2016, ele emprestaria o seu nome para batizar o maior projeto da história da mineração mundial: o Complexo S11D Eliezer Batista, primeira mina de ferro construída para operar sem caminhões fora de estrada, que permite reduzir em cerca de 70% o consumo de diesel.

*Com informações da Vale

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