Indústria investe em treinamento e desenvolvimento de operadores

O foco muda a indústria busca hoje valorizar quem já está dentro da casa: treinar a mão de obra e criar verdadeiros especialistas no negócio

Operadores, mecânicos e mesmo analistas e assistentes. O chamado “chão de fábrica” é o conjunto de funcionários que executam tarefas produtivas na indústria, diferenciando-os de gerentes, supervisores e outros cargos de gestão. E nesse grupo que a indústria tem focado mais a cada dia, percebendo que a formação desses colaboradores é essencial.

De acordo com dados da pesquisa Panorama do Treinamento & Desenvolvimento 2018, da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), houve mudança no perfil do funcionário que foi priorizado pelos treinamentos: o público formado por não-líderes, que inclui áreas operacionais, comercial e administrativo, concentrou a maioria do investimento em treinamento este ano (52%), um crescimento de 6% na comparação com 2017.

Treinamento é a palavra-chave, principalmente quando diz respeito à contratação de mão de obra local em lugares que não têm esse tipo de especialização. Muitas empresas escolhem treinar seus próprios colaboradores e assim, dentro dela, encontrar talentos e especializar a mão de obra.

A Serabi Gold, companhia de mineração de ouro que atua no município de Itaituba, no oeste do Pará, possui as minas São Chico e Palito, atualmente as únicas minas subterrâneas em funcionamento no estado. “Embora venham pessoas com experiência neste tipo de mina de outros estados, contratamos moradores de Itaituba e comunidades próximas para atuar junto a esses profissionais e, assim, se especializarem. Desta forma, eles estão prontos para assumir novos cargos dentro da Serabi”, conta Kilser Cardoso, gerente de Operações da mineradora.

A Alubar, localizada no município de Barcarena, investe em treinamentos para adequar a mão de obra local às especificidades do seu processo. É que a empresa, líder de mercado na fabricação de cabos elétricos de alumínio e produtora de condutores de cobre, é a única da região a fabricar este tipo de produto. Neste sentido, ela investe na formação, capacitação e qualificação dos profissionais que atuam em sua fábrica instalada em Barcarena.

O operador Robson de Abreu é um dos colaboradores que teve a oportunidade de aprender a produzir os condutores elétricos depois de ingressar na Alubar. Natural de Barcarena, ele iniciou como aprendiz do curso auxiliar administrativo, em 2008. Após a conclusão do programa de aprendizagem, Robson foi admitido como auxiliar de produção de cabos de alumínio e, a partir de então, recebeu diversos treinamentos que permitiram não só o aprendizado na fabricação de cabos e fios elétricos, mas também seu crescimento na carreira.

“Muitas pessoas que estão de fora nem imaginam o que se faz em uma fábrica de cabos. Por isso o trabalhador, quando chega aqui, tem que lidar com muitas novidades. Os treinamentos são para que a gente possa desenvolver a atividade e esse conhecimento reflete muito na qualidade do produto final. É muito gratificante”, afirma o colaborador, que atualmente trabalha na Produção de Cabos de Cobre.

Segundo a Gerente de Recursos Humanos da Alubar, Ana Carolina Santos, a valorização de mão de obra local é uma das marcas da empresa em seus 20 anos de história. “Ao surgir a necessidade de preenchimento de vagas, nossa primeira opção é promover o colaborador que já faz parte da equipe. Quando não dá, procuramos a mão de obra no estado para valorizar o desenvolvimento da região e só quando são esgotadas as possibilidades, procuramos no mercado fora do Pará. Hoje, mais de 90% dos nossos cargos de liderança são ocupados por pessoas daqui, promovidas e treinadas pela própria empresa”, afirmou a gestora.

Em busca de novos talentos

A Imerys, empresa que atua com caulim em Barcarena, realiza cursos e capacitações periodicamente. Só no ano passado investiu quase R$1 milhão em treinamentos. Um dos objetivos da empresa é desenvolver os colaboradores por meio de treinamentos e programas que incentivam o crescimento profissional. Um desses programas é o Key Talent, que está em sua quarta edição, estimulando os colaboradores a desenvolverem ideias inovadoras e sustentáveis. Nas três primeiras edições, 32 pessoas participaram do programa que envolve diversos projetos que vão desde a economia de energia na fábrica até melhorias industriais.

Os colaboradores que têm os projetos selecionados recebem todo apoio da empresa por meio de cursos e capacitações para planejar, organizar, negociar e executar o projeto. Jorge Almeida, técnico ambiental na Imerys, elaborou o projeto “Aproveitamento de Água da Chuva no Processo de Beneficiamento” e recebeu o primeiro lugar na segunda edição do programa. “O Key Talent abre o caminho para que possamos estudar e nos capacitarmos para vender melhor a ideia”, comentou.

O projeto já está sendo executado pela mineradora, em Barcarena, onde as bacias de resíduos de caulim desativadas captam a água das chuvas que são utilizadas no processo da empresa, equivalente a 50% da água utilizada na fábrica durante um ano. A ideia do colaborador reduziu a utilização de água de fontes subterrâneas, trouxe economia para a empresa e é um exemplo de sustentabilidade e de que é possível encontrar soluções que melhorem a relação homem e natureza.

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