Jiulianna Costa Santos – Supervisora de Mina

Meu nome é Jiulianna Costa Santos, tenho 34 anos e sou mineradora há 12 anos.

Nasci em Uruaçu, cidade do interior de Goiás. Tenho um tio que é mecânico de máquinas pesadas da mineração. Ele sempre me falava do trabalho dele, dessas máquinas, do dia a dia em uma mina. Eu escutava aquilo e ficava curiosa. Até que um dia ele me levou para visitar a Sama, mineradora de amianto em que ele trabalhava, na cidade de Minaçu, também em Goiás.

Foi aí que o interesse pelo mundo da mineração despertou de vez em mim. Fiquei entusiasmada com tudo aquilo, o ambiente, as máquinas. Decidi que queria trabalhar com isso. Meu tio me levou para fazer uma prova de seleção. Fiz e passei. Fui contratada em 2005, no cargo de auxiliar de Produção, fui a primeira mulher nesse cargo. Era um serviço pesado, praticamente braçal. Fiquei na Sama até 2012, trabalhei em diferentes áreas e funções, que, até então, só eram exercidas por homens. Nesse período, fiz também um curso de Técnico em Mineração, no Senai de Minaçu.

Durante minha trajetória tive alguns momentos em que pensei ‘isso não dá para mim’, principalmente quando passei a trabalhar no turno da noite. Eu tinha medo de ficar sozinha na mina, com aquele maquinário grande, em um lugar isolado, prédio enorme. Antes de trabalhar na mineração, eu trabalhava em loja. Mineração é muito diferente.

Em dezembro de 2013, fiz uma seleção na Anglo American em Barro Alto. Entrei no mesmo cargo que comecei minha carreira: operadora de Produção. Seis meses depois, fui promovida, e, também fui a primeira técnica na área da mina na Anglo American. Em outros setores, já havia mulheres. Mas não na lavra.

Depois de 1 ano e meio, fui promovida a supervisora de Operação de Mina, que é o cargo que ocupo agora. Minha atividade é cuidar da operação e da infraestrutura. Além de liderar a equipe de empregados diretos e terceirizados. É um desafio quando uma mulher pega um cargo de liderança em um lugar que praticamente só tem homem. Tive que conquistar o respeito deles, e não foi fácil.

Hoje, estou cursando Engenharia de Produção, eu não quero me acomodar onde estou. Penso em me formar e continuar atuando na mineração. Quero chegar a um nível de coordenação e quem sabe de gerência. Sempre quero me aprimorar e me capacitar. Os desafios é que me movem. ”

 

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