Mineradoras discutem oportunidades e desafios da mineração

Encontros realizados em Brasília (DF) e Belo Horizonte (MG) reuniram representantes de empresas com a missão de ampliar o diálogo e também melhorar a reputação do setor

Gestores de mineradoras que atuam no Brasil debateram com especialistas internacionais caminhos para ampliar o diálogo com a sociedade, bem como para melhorar a reputação do setor. Nos dias 16 e 18 de abril, a diretora executiva da DPI Mining Wendy Tyrrell participou de encontros com os executivos das mineradoras na sede do IBRAM em Brasília (DF) e no escritório regional de Belo Horizonte (MG). O projeto é uma iniciativa da Kellog Innovation Network (KIN), com o apoio da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Dom Cabral (FDC).

Para Wendy Tyrrell, essa é uma oportunidade para “dialogar em espaços neutros e desenvolver a mineração em todo o mundo”. Por meio desses encontros o DPI pretende propor novas formas de pensar o setor e iniciativas para em conjunto repensar o futuro da mineração. “Precisamos identificar oportunidades, unir os stakeholders e construir a confiança de todos os atores envolvidos no setor mineral”, explicou Wendy, enquanto citava cases de sucesso da iniciativa em países como África do Sul, Peru e Colômbia.

Entre os participantes das reuniões realizadas no IBRAM a opinião é unânime: embora cada estado possua particularidades, as ações precisam ter abrangência nacional. Para Janaína Donas, diretora de Relações Governamentais e comunicação da Alcoa, os problemas enfrentados pelas mineradoras são os mesmos e o maior desafio é “unir os diferentes interesses do Governo, das empresas e das comunidades envolvidas”.

Para Paulo Henrique Soares, diretor de Comunicação do IBRAM, falta uma definição concreta das responsabilidades de cada ator. “Nossa história mostra que já cometemos erros o que, muitas vezes, dificulta o relacionamento entre as mineradoras e a sociedade. Precisamos entender que são expectativas e experiências diferentes e que é necessário se adequar à realidade de cada local. Isso é fundamental para melhorar a reputação do setor”, acredita.

Wendy explicou que “as expectativas são sempre altas e que o trabalho da DPI é criar uma maior confiança entre os stakeholders”. Carolina Lobato, gerente da Área Jurídica da Kinross, acredita que, para isso, é primordial um discurso transparente e sincero, de todas as partes.

Janaína Donas lembrou ainda que muitas vezes é necessário “dar um passo para trás” e alinhar as expectativas. “Precisamos mostrar às comunidades quais os benefícios de ter uma atividade mineral em sua região e quais os impactos que isso pode causar. A população precisa estar sempre bem informada”. Claudia Salles, gerente de Assuntos Ambientais do IBRAM pontuou que é preciso definir com clareza o foco de atuação da iniciativa, já que mais de 900 mineradoras atuam no Brasil e que a mineração “é muito heterogênea”.

Othon de Villefort Maia, gerente de Comunicação e Relacionamento com a Comunidade da AngloGold Ashanti acredita que é fundamental “construir confiança para conseguirmos nos comunicar efetivamente com os mais diversos públicos”.

“Pensar no futuro, nos aproximar das pessoas envolvidas no processo mineral e construir relações de confiança são nossos primeiros passos. Nosso objetivo é enfrentar os desafios e nos expor mais”, completou Wendy.

A executiva explicou ainda que após essa série de reuniões o DPI terá a missão de identificar as oportunidades e possibilidades para o setor. O IBRAM representará a indústria mineral nesse processo.

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