Pesquisa com uso de minério para gerar energia limpa rende Prêmio Nobel

Dois cientistas americanos e um japonês ganharam, em outubro, o Prêmio Nobel de Química de 2019. Eles foram responsáveis pelo desenvolvimento de baterias de lítio, que permitem recarga rápida e revolucionaram os equipamentos eletrônicos portáteis. Este e outros minérios são base para novas tecnologias para baterias, placas fotovoltaicas, carros elétricos e turbinas hidráulicas, entre outros,  que são fundamentais para gerar energia limpa.  As descobertas salientam o papel da mineração como suporte fundamental para garantir avanços em tecnologia, inclusive para o mercado de energias renováveis.

Para o diretor de Assuntos Ambientais do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Rinaldo Mancin, “iniciativas de sustentabilidade energética passam necessariamente pela mineração. O desenvolvimento desse setor é imprescindível para esta revolução, de modo a promover mais sustentabilidade para o meio ambiente. Os bens minerais são à base da vida moderna”, explica.
Em 2017, o Banco Mundial produziu a publicação “O crescente papel de minerais e metais em um futuro de baixo carbono” e concluiu que, para alcançar um futuro de baixo carbono, haverá um aumento substancial na demanda por vários minerais e metais essenciais para a fabricação de equipamentos produtores de energia mais limpa.

Para Mancin, esta é uma demonstração que o mundo precisa investir  na mineração como aliada  para o futuro sustentável do planeta. “A publicação do Banco Mundial mostra que, embora a crescente demanda por minerais e metais abra oportunidades econômicas para países em desenvolvimento ricos em recursos naturais, os desafios provavelmente surgirão se a transição de energia limpa não for gerenciada de maneira responsável e sustentável”, explica.

Segundo o diretor de Assuntos Ambientais do IBRAM, a sociedade precisa ter maior conhecimento das inovações no setor industrial e, principalmente, como o setor da mineração contribui decisivamente para um futuro onde os processos se tornem mais sustentáveis. “Um dos desafios do Instituto é demonstrar como a indústria mineral é importante na vida humana. Prêmios como o Nobel demonstram isso”.

Mineradora brasileira teve participação na pesquisa da bateria de lítio

Segundo reportagem publicada pela revista Exame, a mineradora brasileira CBMM, associada ao IBRAM e maior produtora mundial de nióbio, é uma das financiadoras dos estudos do pesquisador americano John Goodenough, na Universidade do Texas. Goodenough, Stanley Whittingham e Akira Yoshino foram premiados com o Nobel pelo desenvolvimento de baterias de íon lítio. A CBMM se inspirou na pesquisa do trio de cientistas para investir no desenvolvimento de baterias de nióbio, também um supercondutor.

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