Prêmio de SST na mineração aborda tema sobre conservação auditiva

Disseminado nas mais diferentes atividades industriais, o ruído é um conhecido agente físico de risco aos trabalhadores dos tempos atuais.  Além dele, a vibração, calor e substâncias químicas também podem provocar ao trabalhador a perda auditiva. A temática é uma das principais preocupações do Programa Especial de Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração (MINERAÇÃO) do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).

Prova disso é a criação da categoria “Conservação auditiva – demonstrar evolução médica”  no Prêmio Melhores Práticas em Saúde e Segurança do Trabalho em 2018. A premiação pretende chamar atenção nesta edição para a prevenção e estabilização das perdas auditivas ocupacionais no setor mineral, além de mostrar a progresso nos tratamentos da doença.

“O ruído, ao atuar sobre o trabalhador pode alterar processos internos do organismo, com consequências fisiológicas e emocionais. Em 2018, pretendemos premiar aqueles que estão atentos e dar publicidade ao tema. É importante saber se o segmento mineral está em dia com esta prevenção, se há uma redução no número de perdas auditivas pelo ruído ocupacional e quais são as novidades que estão sendo adotadas”, afirma a coordenadora do Programa, Cláudia Pellegrinelli.

Para o médico do trabalho, especialista em Cirurgia Geral e Otorrinolaringologia, Davi Ribeiro dos Santos, as mineradoras possuem iniciativas de prevenção, mas ainda estão aquém do objetivo principal de se ter o controle eficaz deste risco ocupacional de lesão irreversível do sistema auditivo. Para ele o prêmio possui grande importância, pois vai despertar a atenção de todos para esse tema. “A eficácia dos Programas de Conservação Auditiva (PCA) depende do compromisso permanente de gestores, especialistas e empregados, com a progressiva redução do ruído no ambiente de trabalho, por meio de metas, planos estratégicos e ações coordenadas. Essa será mais uma chance de estimular aqueles que trabalham no setor para darem mais atenção a doença”, analisa.

Entre as empresas participantes desta categoria estão:

  • Anglo American com o case: Prevenir é o melhor remédio
  • ArcelorMittal Mineração Brasil com o case: Programa mais saúde (PCA) – Programa de conservação auditiva
  • Ferro+Mineração S/A com o case: Gestão do perfil clínico epidemiológico no PCA
  • Vale com o case: Promoção da saúde auditiva: um olhar além da normatização

A Classificação do finalistas será anunciada no dia 20 de novembro. A Cerimônia de premiação ocorrerá no dia 4 de dezembro na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte (MG). Os primeiros colocados receberão troféus e terão seus cases divulgados no Portal da Mineração (www.portaldamineracao.com.br). O vencedor de cada categoria terá a oportunidade de apresentar o trabalho em painel específico de SST durante o 18º Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM), que será realizado entre os dias 9 e 12 de setembro de 2019.

 

Confira abaixo entrevista na íntegra sobre o tema conservação auditiva com o médico e avaliador da categoria, Davi Ribeiro dos Santos

Davi Ribeiro dos Santos, Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (1979); especialização em Cirurgia Geral e Otorrinolaringologia pelo HSPM – SP (1980 a 1983); Pós-graduação em Medicina do Trabalho pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1990) e em Higiene Ocupacional pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (2009). Título de Especialista em Medicina do Trabalho pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho – ANAMT.  Mestrado Acadêmico em “Saúde Trabalho e Ambiente” pela Fundacentro – SP (2013).

 

Portal da Mineração: Quais são as causas de perdas auditivas no setor mineral?

Davi Ribeiro dos Santos: A principal causa é a exposição a níveis elevados de ruído, oriundo de máquinas, equipamentos, mas há outros fatores que podem causar ou agravar perdas auditivas, como a exposição a solventes orgânicos e vibração.

É importante ressaltar que as perdas auditivas não são exclusividade do trabalho, uma vez que podem ser causadas por exposições extra-laborais e fatores individuais, como diabetes, dislipidemias e outras, que aumentam com a evolução etária.

Portal da Mineração: Existem leis e normas que buscam adequar o tempo de exposição e a concentração do agente ao dia a dia de contato destes ruídos? Quais são?

Davi Ribeiro dos Santos:  Sim. Uma das principais normas legais, a NR 9 que integra o conjunto das Normas Regulamentadoras da Lei 6514/77 estabelece limites de tempo para exposições ocupacionais a ruído e o chamado nível de ação pelo qual, nas exposições iguais ou superiores a metade do limite estabelecido devem ser providenciadas medidas para evitar exposições excessivas.

A NR 7 no seu Anexo I define critérios para o monitoramento da saúde auditiva dos trabalhadores.  Existem ainda Norma Previdenciária na Portaria 608/98 e Norma Técnica da Fundacentro NHO 01.

São todos documentos oficiais que normatizam o processo de avaliação ambiental, controle de risco e monitoramento da saúde auditiva.

Portal da Mineração: Como as empresas hoje no setor mineral trabalham para prevenção desta questão?

Davi Ribeiro dos Santos:  Há iniciativas de prevenção, mas ainda estamos aquém do objetivo principal de se ter o controle eficaz deste risco ocupacional de lesão irreversível do sistema auditivo.

A eficácia dos Programas de Conservação Auditiva (PCA) depende do compromisso permanente de gestores, especialistas e empregados, com a progressiva redução do ruído no ambiente de trabalho, por meio de metas, planos estratégicos e ações coordenadas.

No entanto, este tema ainda se mantém restrito ao âmbito dos profissionais técnicos e, em muitos casos, limita-se ao um patamar mínimo de monitoramento da audição por exames audiométricos e fornecimento de protetores auditivos individuais, insuficiente para garantir a efetividade do processo preventivo.

Portal da Mineração: Como você acredita que este tipo de premiação pode incentivar as empresas a investirem em saúde e segurança do trabalho e em especial na conservação auditiva?

Davi Ribeiro dos Santos:  Considero extremamente oportuna este iniciativa, cujo resultado, no mínimo, será despertar a atenção de gestores para um assunto tão relevante.

As perdas auditivas são as doenças ocupacionais mais prevalentes na população de trabalhares, responsável por um grande número de ações indenizatórias movidas por pessoas que sofreram prejuízos na sua capacidade de comunicação ou perderam oportunidades de trabalho por serem portadoras de perda auditiva resultante da exposição a ruído.

Cumpre salientar que perdas auditivas por exposições excessivas a ruído nos ambientes de lazer e atividades extra laborais são cada vez mais frequentes, em função de potentes equipamentos de som e ferramentas de uso corrente em atividades domésticas e amadoras.

No entanto, quem recebe um diagnóstico de perda auditiva por ruído tem a tendência natural de atribui-la ao trabalho. Somente os empregadores que possuem programas consistentes de conservação auditiva poderão evidenciar a eficácia das suas medidas de prevenção, eliminando a hipótese de causa ocupacional.

Parabenizo o IBRAM por esta inciativa.

 

 

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