Vale inaugura sistema de tratamento ecológico de efluentes na Mina de Águas Claras

Além dos benefícios ao meio ambiente, sistemas baseado em wetlands são mais econômicos. Objetivo também é estimular consciência ambiental

A Vale implantou em sua unidade da Mina de Águas Claras (MAC) um método de tratamento de esgoto por sistema de wetlands em uma área de aproximadamente 4 mil metro quadrados. O modelo, muito difundido na Europa, usa materiais básicos como brita e areia, além de plantas para tratamento de efluente. A eficiência é comparável a sistemas altamente mecanizados que possuem alta demanda energética e utilizam produtos químicos.

As wetlands da MAC atendem a um público aproximado de 700 pessoas, distribuídas em três prédios. Para reforçar a ideia de educação ambiental, foi construída uma praça sustentável em que foram reaproveitados resíduos como dormentes de ferrovia e instalad piso produzido a partir de rejeito do processo de beneficiamento do minério de ferro.

“Os sistemas de tratamento tipo wetlands são mais comuns na Europa. Na França existem mais de 4 mil sistemas em funcionamento. No Brasil, desconhecemos sistemas de tratamento de efluentes em formato de praças sustentáveis e que visem a educação ambiental no setor mineral semelhante ao que adotamos aqui”, explica Roberta Guimarães, analista de meio ambiente da Vale.
Funcionamento

Depois de passar por gradeamento, que retém materiais como papéis, e do tratamento primário por fossa-filtro, que degrada parte da matéria orgânica, o esgoto é enviado para as wetlands. São canais relativamente rasos (80cm) compostos por um meio filtrante em camadas de brita e areia grossa.

Nesses canais, colônias de bactérias fazem a degradação do material orgânico e transformação de alguns elementos em inorgânicos para possibilitar a absorção pelas plantas. Estas, com grande potencial de absorção de nutrientes, como papiros, capim tifton e dálias, são cultivadas nas wetlands para ajudar na remoção de poluentes, bem como nutrientes abundantes como nitrogênio e fósforo, que, em abundância pode prejudicar um sistema ambiental.

Depois de passar por dois reatores tipo wetlands, a água, já tratada, é armazenada em um pequeno lago-pulmão, que servirá de fonte de irrigação para o restante da área. Instalado há pouco tempo, o lago já conta com “moradores” como aranhas-d’água e girinos, o que é um indicativo da boa qualidade da água.

“Um dos pontos mais interessantes desse sistema é ser possível ficar mais de 10 anos sem retirar lodo das wetlands. Ou seja, o uso dessa tecnologia reduz drasticamente a necessidade de envio de material para aterros”, afirma Roberta.
Eficiência

Os primeiros testes demonstram que o sistema opera com eficiência elevada, com mais de 90% de remoção de material orgânico, comparável a sistemas mais tradicionais de tratamento de esgoto doméstico.

Do ponto de vista de custo, o tratamento tipo wetlands sai na frente. O sistema da MAC, somado aos desembolsos com paisagismo, custou R$ 1,5 milhão. Um sistema mais tradicional como o de lodos ativados de mesma capacidade custaria R$ 2,5 milhões, com desvantagem adicional de custos de manutenção. Por sua baixa mecanização e não utilização de produtos químicos no processo principal, os custos gerais com as wetlands são 70% menor que o de métodos mais comuns. Os gastos com energia elétrica, por exemplo, são, pelo menos, 60% menores.

“Um dos nossos objetivos com o sistema da MAC é também inspirar e servir de exemplo para aumentar o uso desse tipo de sistema no Brasil. Pode ser usado tanto por empresas quanto pelo poder público. Acreditamos que as wetlands são sistemas ideias para cidades com menos de 15 mil habitantes, já que acima disso é necessário muito espaço físico. São mais 3 mil municípios no Brasil com este número populacional, o equivalente a quase 60% do total de cidades no país”, diz Roberta.

 

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