Itabira(MG) sediará piloto de projeto voltado a gerar fontes de receitas alternativas à mineração

Itabira (MG) vai abrigar o projeto-piloto voltado a desenvolver polos de desenvolvimento e de geração de renda a partir de atividades produtivas, em substituição às fontes de recursos geradas direta e indiretamente pela mineração em larga escala. Há cerca de 80 anos Itabira tem boa parcela de seu desenvolvimento atrelado às receitas da mineração, mas, até hoje, segundo o prefeito Marco Antônio Lage, não elaborou um planejamento de longo prazo para estabelecer fontes alternativas de receitas para o período pós-mineração.

Segundo o prefeito, a exaustão mineral em Itabira deverá ocorrer nos próximos 8 anos e, portanto, o município “tem pressa”, segundo ele, para buscar a diversificação produtiva e obter emancipação econômica e, assim, garantir a sobrevivência após o ciclo de mineração.

O piloto em Itabira integra o Projeto de Reconversão Produtiva em Territórios Dependentes da Mineração, uma iniciativa em implantação desde dezembro de 2019 por várias organizações: Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (AMIG); SEBRAE-MG; Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG); Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG); Secretaria de Desenvolvimento de Minas Gerais; Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).

O projeto tem a meta de auxiliar os municípios e regiões de entorno a construir e a implantar estratégias de reconversão produtiva, de modo a reduzir a dependência econômica em relação à atividade minerária, a partir de uma estratégia de desenvolvimento econômico local. Além dos 13 municípios-sede, outros 56 podem vir a participar do projeto, envolvendo um total de 7 regiões de Minas Gerais.

Dirigentes do IBRAM e das demais organizações que integram o projeto de reconversão.

“Essa iniciativa é um marco na história da mineração em Minas Gerais. Mais do que uma campanha, este é um projeto inovador que envolve toda a sociedade civil organizada para buscar um novo modelo de mineração sustentável, respeitado, com união da sociedade em torno de objetivos comuns”, afirmou o prefeito Lage, que também é diretor de sustentabilidade da AMIG, durante reunião online dos parceiros do projeto com participação de mais de 50 pessoas. Ele disse que espera que “Itabira vire exemplo, uma referência para outros municípios mineradores. Esta é uma nova página que precisamos escrever sobre a mineração em Minas Gerais, atividade fundamental para nosso estado”.

Objetivos específicos do Projeto de Reconversão Produtiva em Territórios Dependentes da Mineração

• Ajudar os territórios minerados a identificar vocações que reduzam a sua excessiva dependência econômica.
• Ajudar os territórios minerados a estabelecerem uma estratégia de reconversão produtiva para reduzir a sua excessiva dependência econômica.
• Ajudar os territórios minerados a estabelecerem uma institucionalidade para implementação, monitoramento e avaliação da estratégia de reconversão produtiva.
• Implementar um conjunto de iniciativas das entidades e instituições parceiras em sintonia com a estratégia local.


Mineradoras aderiram ao projeto

As mineradoras participam e apoiam o projeto, uma vez que desenvolver os territórios de mineração é um dos propósitos do setor a partir da atividade minerária. Tanto é assim que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios mineradores é, geralmente, superior ao dos demais municípios.

“Este projeto é muito oportuno. O IBRAM e suas mineradoras associadas se sentem honrados em participar”, disse Flávio Ottoni Penido, diretor-presidente do IBRAM. Ele ressaltou que o Projeto de Reconversão Produtiva em Territórios Dependentes da Mineração precisa ser abraçado pelas comunidades, suas lideranças e autoridades municipais para que tenha perenidade e apresente bons resultados ao longo dos anos. Segundo ele, é importante que os novos polos de geração de receitas sejam planejados e decididos em conjunto pelas comunidades durante o ciclo da mineração, que é o objetivo central do projeto.

A reunião online teve os objetivos de consolidar a rede de parceiros estaduais do projeto; estabelecer suas responsabilidades; apresentar o status das ações e concluir a adesão de novos parceiros. “O projeto também está buscando metodologias e cases de sucesso fora do país para inspirar as ações nos municípios mineradores brasileiros. Em janeiro, por exemplo, foi estabelecido o Acordo de Cooperação “Projeto de Transição Justa”, envolvendo a Fundação Getúlio Vargas e a Embaixada da Alemanha”, informou Alexandre Valadares Mello, diretor de Relações com Associados e Municípios do IBRAM, um dos responsáveis pela seleção de Itabira para sediar o projeto-piloto.

Em Itabira organizações já estão sendo mobilizadas para integrar as primeiras discussões voltadas a planejar os novos polos produtivos, geradores de receitas e impulsionadores do desenvolvimento socioeconômico, como associação comercial e industrial, universidades, autarquias, empresas públicas, privadas e de economia mista, concessionárias de serviços públicos, entre outros atores.

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