Uso de “pó de rocha” reduz custos e avança rapidamente na agricultura brasileira

O Brasil desponta como um dos principais países no desenvolvimento da agrogeologia – a ciência que estuda o conhecimento geológico aplicado à agricultura -, de acordo com o professor Peter van Straaten, da University of Guelph, no Canadá. A principal técnica de manejo de solo desenvolvida a partir da Agrogeologia é conhecida como rochagem ou remineralização de solo. Ela consiste em abastecer com minerais que compõem certas rochas, na forma de “pó de rocha”, outras áreas com baixo teor de nutrientes necessários para o desenvolvimento do plantio.

Para o professor, que é a principal autoridade no mundo sobre o tema, novas descobertas e a aplicação de tecnologias inovadoras nesta área podem induzir a uma maior exploração no Brasil de minérios alternativos como fontes de nitrogênio, fósforo e potássio (conhecidos pela sigla NPK). Estes, frequentemente usados na cadeia de fertilizantes para o agronegócio.

Atualmente o Brasil tem uma forte dependência externa nesses insumos básicos na confecção de fertilizantes. Do potássio, importamos cerca de 90% da necessidade interna, percentual que é de 70% para o nitrogênio e de 50% para o fósforo.

De acordo com van Straaten, o Brasil poderia conquistar tecnologias revolucionárias com esforços concentrados na inovação do beneficiamento dos vastos recursos nacionais de rochas silicáticas, no processamento de rejeitos de minas existentes e na descoberta de recursos de agrominerais alternativos. “O Brasil importa grandes quantidades de nutrientes NPK, que, assim, poderiam ser reduzidas”, segundo van Straaten.

Segundo Eduardo Martins, ex-presidente do Ibama e coordenador do Grupo de Agricultura Sustentável (GAS), aproximadamente 1 milhão de hectares em diversos estados no Brasil já adotam de forma experimental ou permanente técnicas de rochagem para melhoria do solo e essa área vem crescendo em ritmo acelerado. “O agricultor brasileiro é esperto, vê que outros estão usando com bons resultados e começa a adotar a prática”, disse.

Eduardo Martins explica que, especialmente neste momento em que o dólar está mais caro, a rochagem pode aumentar a rentabilidade das atividades agrícolas no Brasil por reduzir a necessidade de importação de insumos. Ele explica, ainda, que a atividade resulta em melhoras para o ambiente, uma vez que o “pó de rocha” resulta em maior captura de carbono nas áreas onde é adotado.

O professor van Straaten estará no Brasil nos próximos dias, onde, a partir do dia 17, ministrará em Goiânia (GO) um curso sobre Agrogeologia para profissionais, organizado pela Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB). O curso já conta com dezenas de inscritos e incluirá visitas de campo a depósitos e minas em atividade no estado de Goiás. Também farão parte do curso especialistas da Embrapa e do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

A promoção do curso está em linha com uma das principais finalidades da agência, que é identificar as necessidades e oportunidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação e de capacitação de recursos humanos no setor mineral nacional, explica Roberto Xavier, diretor-executivo da ADIMB. “Estamos promovendo o intercâmbio do conhecimento nacional com o estrangeiro em um projeto comum que traz benefícios à exploração mineral e ao agronegócio brasileiro e internacional”, disse Xavier.

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