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Brasil x Japão: adversário da Seleção é uma potência tecnológica que depende da mineração para movimentar sua indústria

01 Jul 2026

Quando Brasil e Japão entraram em campo pelas oitavas de final no Campeonato Mundial de Futebol, o duelo colocou frente a frente duas nações que ocupam posições muito diferentes na cadeia global da mineração. Enquanto o Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de minérios do mundo, o Japão é um dos países que mais dependem da importação desses recursos para manter sua poderosa indústria funcionando.

Embora não seja conhecido por grandes minas, o Japão transformou a escassez de recursos minerais em uma estratégia baseada em tecnologia, inovação e eficiência. O país importa matérias-primas de diversas partes do mundo e as transforma em produtos de alto valor agregado, como automóveis, equipamentos eletrônicos, semicondutores, baterias e máquinas industriais.

A mineração japonesa é relativamente pequena e concentrada em poucos recursos. Entre os destaques estão o calcário, utilizado na produção de cimento e aço; o iodo, do qual o Japão é um dos principais produtores mundiais; e os chamados minerais industriais, como argilas, sílica, areia e cascalho, empregados principalmente na construção civil, na fabricação de vidro, cerâmica e outros produtos essenciais para a indústria.

O Japão também produz ouro. Seu principal destaque é a mina de Hishikari, reconhecida por possuir um dos minérios de ouro de mais alto teor do mundo, ou seja, uma concentração excepcionalmente elevada de ouro na rocha extraída. Além da mineração em terra, o país pesquisa a exploração de minerais no fundo do oceano, como terras raras e cobalto, embora essa atividade ainda não ocorra em escala comercial.


Se o subsolo japonês possui limitações, a capacidade industrial do país é exatamente o oposto. O Japão é referência mundial em refino de metais, siderurgia, reciclagem e produção de materiais avançados. Grande parte dos minerais importados é utilizada na fabricação de componentes para carros elétricos, eletrônicos, redes de energia, equipamentos médicos e outras tecnologias que fazem parte do cotidiano das pessoas.

Essa realidade faz com que a segurança no fornecimento de minerais seja tratada como uma questão estratégica pelo governo japonês. Para reduzir riscos, o país diversifica fornecedores, mantém estoques estratégicos, investe em reciclagem e apoia projetos minerais em diversos países por meio da Japan Organization for Metals and Energy Security (JOGMEC). Entre os minerais considerados essenciais estão minério de ferro, cobre, níquel, lítio, cobalto, grafite e terras raras, fundamentais para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.

É nesse contexto que o Brasil ganha importância. Em 2025, as exportações brasileiras de bens minerais para o Japão ultrapassaram US$ 1,12 bilhão. O minério de ferro respondeu por mais de 85% desse valor, enquanto o ferro-nióbio representou cerca de 14%, reforçando o papel do Brasil como fornecedor estratégico para a indústria japonesa. As importações brasileiras de minerais provenientes do Japão, por outro lado, foram pouco expressivas, tornando a balança comercial amplamente favorável ao Brasil.

A parceria entre os dois países também pode crescer nos próximos anos. Além do minério de ferro e do nióbio, o Brasil possui grande potencial para ampliar o fornecimento de minerais críticos, como lítio, grafite, cobre, níquel, manganês e terras raras, recursos cada vez mais demandados para a produção de baterias, equipamentos eletrônicos e tecnologias de baixo carbono. Ao mesmo tempo, a experiência japonesa em processamento mineral, inovação, reciclagem e economia circular representa uma oportunidade para ampliar a cooperação entre os dois países.

Assim como aconteceu dentro de campo, Brasil e Japão possuem características diferentes, mas complementares. O Brasil se destaca pela abundância de recursos minerais; o Japão, pela capacidade de transformar esses recursos em tecnologia e inovação. Uma parceria que mostra como a mineração conecta economias, fortalece cadeias produtivas e ajuda a construir soluções para os desafios do futuro.

Referências principais:

COMEX STAT/MDIC. Dados de comércio exterior Brasil–Japão, recorte mineral de 2025 informado pelo usuário.

U.S. Geological Survey (USGS). Minerals Yearbook: Japan; Mineral Commodity Summaries: Iodine.

Ministry of Economy, Trade and Industry (METI) / Agency for Natural Resources and Energy (ANRE). Japan’s Energy e Strategic Energy Plan.

Japan Organization for Metals and Energy Security (JOGMEC). Relatórios e materiais sobre segurança de suprimento mineral, estoques estratégicos, reciclagem e recursos marinhos.

Sumitomo Metal Mining. Informações institucionais e relatórios sobre a mina de ouro Hishikari.

INPEX. Informações sobre produção de iodo no Japão e salmouras associadas a campos de gás natural.

Nittetsu Mining. Relatórios institucionais sobre calcário e minerais industriais no Japão.

International Seabed Authority (ISA). Contratos e informações sobre exploração de crostas ferromanganesíferas ricas em cobalto pela JOGMEC.

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