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Lítio no cinema e na vida real: filme Agente Secreto mostra a pesquisa do mineral na década de 70 

12 Mar 2026

Personagem de Wagner Moura no filme Agente Secreto é professor universitário e pesquisador de um projeto de baterias de lítio no Brasil em 1977

Ganhador do Globo de Ouro e representante do Brasil na disputa do Oscar, que acontecerá no próximo domingo, dia 14/3, o filme O Agente Secreto levou para as telas um tema estratégico para o futuro da economia mundial: a mineração.

Ambientada na década de 1970, a produção traz o ator Wagner Moura no papel de professor universitário e chefe de departamento de pesquisa dedicado ao desenvolvimento de baterias de lítio, tecnologia que está no centro da transição energética global.

A partir da narrativa do filme, é possível entender por que o lítio se tornou um dos minerais mais importantes do século XXI e como o Brasil se posiciona nesse cenário.

O agente secreto

Wagner Moura é professor universitário e pesquisador de um projeto de baterias de lítio. Crédito: Divulgação 

A revolução das baterias de lítio

Grande parte da relevância atual do lítio está ligada à transformação que esse elemento químico provocou no mercado de baterias. As chamadas baterias de íons de lítio, usadas em celulares, computadores e veículos elétricos, se destacam por carregar mais rápido, armazenar grandes quantidades de energia em espaços reduzidos e ter vida útil mais longa quando comparadas às tecnologias anteriores.

Embora os primeiros estudos sobre o lítio tenham começado ainda no século XIX, os avanços decisivos ocorreram apenas no início da década de 1980. Foi nesse período que os pesquisadores John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino começaram as pesquisas para o desenvolvimento das baterias recarregáveis de íons de lítio em escala comercial. A importância dessa descoberta foi reconhecida com o Prêmio Nobel de Química de 2019.

Um mineral estratégico para o mundo

Atualmente, o lítio é classificado como um mineral crítico, termo usado para designar matérias-primas consideradas essenciais para o desenvolvimento econômico e tecnológico e que possuem riscos de oferta. Essa classificação é adotada não apenas pelo Brasil, mas também por grandes economias como China, Estados Unidos e União Europeia.

 

O interesse global pelo lítio se deve, principalmente, ao seu papel nas tecnologias ligadas à transição energética, como veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia renovável. Segundo projeções da Agência Internacional de Energia (IEA), a demanda por lítio deve crescer de forma expressiva nas próximas décadas, impulsionada pela necessidade de reduzir as emissões de carbono conforme os compromissos do Acordo de Paris.

O Brasil no mapa do lítio

O Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário internacional da produção de lítio, figurando entre os principais produtores globais do mineral. A extração ocorre principalmente a partir do espodumênio, um mineral rico em lítio, com lavras concentradas em Minas Gerais, especialmente na região do Vale do Jequitinhonha.

A relevância do mineral para o desenvolvimento regional levou o governo mineiro a instituir o projeto Vale do Lítio, uma iniciativa que busca posicionar Minas Gerais e o Brasil como protagonistas na cadeia global do mineral. O projeto envolve 14 municípios da região e tem como foco atrair investimentos, gerar empregos e ampliar a participação brasileira nas etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva.

O desafio de agregar valor

Apesar do papel relevante na produção, o Brasil ainda enfrenta desafios para avançar na industrialização do lítio. Atualmente, o país exporta majoritariamente o minério e seus concentrados, enquanto importa produtos de maior valor agregado, como baterias prontas.

Dados do comércio exterior mineral mostram que as exportações brasileiras de lítio são fortemente concentradas em produtos primários, enquanto as importações de baterias de íons de lítio superam, em valor, as exportações desse tipo de produto. Esse desequilíbrio evidencia a necessidade de fortalecer a cadeia produtiva nacional, com investimentos em tecnologia, pesquisa e inovação.

Uma das estratégias do projeto Vale do Lítio é justamente atrair empresas de diferentes etapas da cadeia, da extração à fabricação de produtos finais, criando condições para que o país avance além do papel de fornecedor de matéria-prima.

Pesquisa, inovação e futuro

Nesse contexto, a pesquisa científica ganha papel central. As investigações retratadas no filme O Agente Secreto, embora ambientadas em outra época, dialogam diretamente com os desafios atuais do Brasil: transformar substâncias minerais em desenvolvimento tecnológico, industrial e social.

O fortalecimento da cadeia do lítio, aliado ao investimento em ciência e inovação, pode permitir que o país amplie sua participação em mercados estratégicos ligados à mobilidade elétrica e à energia limpa, consolidando a mineração como um dos pilares do desenvolvimento sustentável brasileiro.

Fonte: Agência Nacional de Mineração – ANM e Fomentas Mining Company


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