;

‘Fábricas de bolso’: projeto da USP busca reduzir dependência de semicondutores no Brasil

Minerais críticos e estratégicos produzidos no Brasil reforçam a viabilidade das ‘Pocket-Fabs’ e ampliam a base nacional para a indústria de semicondutores.

Crédito: Reprodução

A Universidade de São Paulo (USP) está investindo em um modelo inovador de produção de semicondutores no Brasil: as chamadas Pocket-Fabs, ou “fábricas de bolso”. A proposta prevê unidades compactas, modulares e replicáveis, com o objetivo de fortalecer a produção nacional e reduzir a dependência de importações. Nesse contexto, os minerais críticos e estratégicos produzidos no Brasil desempenham papel fundamental para viabilizar o projeto.

O que são as Pocket-Fabs?

As Pocket-Fabs são fábricas de semicondutores em escala reduzida, com cerca de apenas 150 metros quadrados. Diferente das grandes plantas industriais tradicionais, esse modelo aposta na flexibilidade e na descentralização da produção.

A proposta é que essas unidades possam ser instaladas em diferentes regiões do país, próximas aos centros de demanda industrial.

Por que o Brasil precisa produzir semicondutores e para que servem?

Os semicondutores são componentes essenciais para a economia moderna, presentes em:

  • eletrodomésticos;
  • automóveis;
  • equipamentos eletrônicos;
  • sistemas industriais.

O Brasil ainda depende sobretudo de semicondutores importados, em especial da China e de Taiwan. Isso deixa a indústria nacional mais vulnerável a crises externas e a interrupções no abastecimento, como ficou evidente durante a pandemia.

Como funciona o projeto da USP?

O projeto é liderado pela Escola Politécnica da USP e coordenado pelo professor Marcelo Zuffo. A iniciativa prevê:

  • investimento inicial de R$ 89 milhões;
  • produção estimada de até 60 milhões de chips por ano;
  • criação de até 10 unidades no país.

Além disso, cada fábrica pode gerar cerca de 500 empregos qualificados, incluindo engenheiros, técnicos, pesquisadores e estudantes.

Parcerias e desenvolvimento industrial

O projeto conta com a participação da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, que atuam na conexão entre a produção e as demandas da indústria.

A integração entre universidade, setor produtivo e formação técnica é vista como essencial para consolidar um ecossistema nacional de semicondutores.

O papel dos recursos minerais estratégicos

O desenvolvimento da indústria de semicondutores também está ligado à disponibilidade de minerais críticos e terras raras, insumos fundamentais para a fabricação de componentes eletrônicos.

Nesse contexto, o Brasil possui vantagens competitivas relevantes, como:

  • reservas minerais estratégicas;
  • disponibilidade de energia e água;
  • capacidade técnica e científica.

Um passo rumo à autonomia tecnológica

A criação das Pocket-Fabs representa uma estratégia para ampliar a autonomia tecnológica do Brasil e inserir o país de forma mais competitiva na cadeia global de semicondutores.

Mais do que reduzir a dependência externa, o projeto busca desenvolver tecnologia nacional, gerar empregos qualificados e impulsionar a inovação industrial.

Fonte: G1

autonomia
Brasil
indústria
Inovação
minerais
Semicondutores
Tecnologia