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Brasil x Noruega: adversário no futebol e parceiros na mineração responsável

05 Jul 2026

Quando pensamos na Noruega, é comum que venham à mente as jogadas do astro da seleção norueguesa, Erling Haaland; as belezas naturais, como os fiordes e as paisagens geladas; a qualidade de vida e a liderança mundial na produção de petróleo e gás. Mas o país escandinavo também desenvolveu uma mineração moderna, marcada pela inovação tecnológica e pelo compromisso com a sustentabilidade.

No dia do confronto entre Brasil e Noruega pelas oitavas de final do Campeonato Mundial de Futebol, vale conhecer como um país com produção mineral relativamente pequena conseguiu se tornar uma referência em mineração de baixo carbono e no fornecimento de minerais estratégicos para a economia do futuro.

Uma mineração de menor escala, mas de grande importância

Ao contrário de grandes produtores minerais, como Brasil, Austrália e Canadá, a Noruega não possui um setor mineral baseado em grandes volumes de exportação. Sua produção é voltada principalmente para minerais utilizados pela indústria e pela construção civil, como calcário, areia, brita e quartzo, além de minério de ferro, grafite, ilmenita (principal fonte de titânio), e rochas ornamentais.

Entre esses recursos, o quartzo de alta pureza merece destaque. Ele é utilizado na fabricação de semicondutores, painéis solares, fibras ópticas e diversos equipamentos eletrônicos que fazem parte do nosso dia a dia. Já a ilmenita fornece o titânio empregado em aviões, implantes médicos, tintas e outros produtos de alta tecnologia.

Tecnologia e energia limpa fazem a diferença

Mais do que a quantidade de minerais produzidos, a Noruega chama atenção pela forma como desenvolve sua atividade mineral. O país investe em eletrificação de equipamentos, uso de energia renovável, rastreabilidade da produção e tecnologias que reduzem as emissões de carbono ao longo de toda a cadeia produtiva.

Além disso, realiza estudos para avaliar o potencial de minerais existentes no fundo do mar, especialmente aqueles considerados importantes para a transição energética, sempre sob rígidos critérios ambientais e científicos.

Uma parceria que pode crescer

O comércio mineral entre Brasil e Noruega ainda é modesto, mas revela oportunidades interessantes. Em 2025, o principal produto exportado pelo Brasil para o país europeu foi o minério de manganês, utilizado na fabricação de ligas metálicas que aumentam a resistência e a durabilidade do aço. Também foram exportadas ardósia e pedra-sabão, empregadas em revestimentos, arquitetura, decoração e construção civil.

Mais do que ampliar o intercâmbio comercial, os dois países têm potencial para fortalecer a cooperação em áreas como minerais críticos, processamento mineral, inovação, rastreabilidade e boas práticas ambientais.

 

Referências principais:

Direktoratet for mineralforvaltning (DMF). Harde fakta om mineralnaeringen 2024. Fonte estatística sobre vendas, exportações, emprego, operações e grupos minerais da Noruega.

Governo da Noruega. Norwegian Mineral Strategy. Estratégia nacional para minerais críticos, sustentabilidade, licenciamento e desenvolvimento mineral.

NGU – Geological Survey of Norway. Critical Raw Materials; Overview of critical metals and minerals in Norway; Quartz resources in Norway. 

Norwegian Offshore Directorate. Seabed Minerals e avaliações de recursos minerais marinhos. Fonte para sulfetos, crostas manganesíferas e mineração marinha.

Statistics Norway (SSB). National accounts. PIB, valor adicionado, emprego e produtividade por atividade econômica.

Comex Stat/MDIC. Plataforma oficial de estatísticas de comércio exterior do Brasil; base metodológica para exportações e importações por NCM, país, UF, URF e valor US$ FOB.

Eramet Norway. Informações corporativas sobre plantas de Porsgrunn, Sauda e Kvinesdal e produção de ligas de manganês.

International Manganese Institute. Informações técnicas sobre o uso do manganês na siderurgia e em ligas de aço.



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