Inteligência artificial poderá tornar mais eficiente a separação de terras raras
05 Ago 2026
Tecnologia financiada pelo governo dos Estados Unidos busca aumentar a eficiência no processamento de terras raras pesadas e poderá ser aplicada futuramente em projeto desenvolvido em Goiás.
A inteligência artificial (IA) está chegando cada vez mais à indústria mineral. Uma nova tecnologia apoiada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) pretende tornar mais eficiente uma das etapas mais complexas da produção de terras raras pesadas: a separação desses minerais durante o processamento.
O projeto faz parte da primeira fase do programa Genesis Mission: Transforming Science and Energy with AI, iniciativa que incentiva o uso da inteligência artificial para acelerar pesquisas ligadas ao setor de energia. A expectativa é que a tecnologia ajude a melhorar o controle das operações, aumentar a pureza dos materiais produzidos e tornar o processamento mais estável e eficiente.
O que são terras raras pesadas?
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados na fabricação de tecnologias presentes no dia a dia, como motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, celulares, computadores e equipamentos médicos.
As chamadas terras raras pesadas são mais difíceis de separar durante o processamento do minério. Por isso, desenvolver tecnologias que tornem essa etapa mais eficiente é considerado um desafio importante para ampliar a oferta desses minerais, que são estratégicos para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.
Como a inteligência artificial será utilizada?
A proposta é utilizar inteligência artificial para analisar dados do processo em tempo real e indicar as melhores condições de operação.
Na prática, o sistema poderá ajustar parâmetros automaticamente para aumentar a qualidade e a pureza dos produtos, reduzir desperdícios e diminuir a necessidade de intervenções durante o processamento.
Outro recurso previsto é a criação de um gêmeo digital (digital twin), uma réplica virtual da planta industrial que permite simular diferentes cenários antes de aplicá-los na operação real. Com isso, será possível testar melhorias com mais segurança e eficiência.
Quem está desenvolvendo a tecnologia?
A tecnologia será desenvolvida pela Aclara Technologies Inc., subsidiária norte-americana da Aclara Resources, que foi selecionada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos para participar do programa. A liberação dos recursos ainda depende da conclusão das negociações entre as partes.
Para desenvolver o projeto, a empresa trabalhará em parceria com a Virginia Tech, onde está instalada sua planta-piloto, e com o Argonne National Laboratory, responsável por fornecer recursos avançados de simulação para os testes.
Tecnologia poderá ser aplicada no Brasil
Se os resultados forem positivos, a tecnologia poderá ser utilizada futuramente no Projeto Carina, empreendimento da Aclara em Goiás que está em fase de licenciamento ambiental e tem previsão de iniciar suas operações em 2028.
A empresa também mantém uma parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) para desenvolver pesquisas sobre o uso da inteligência artificial na mineração de terras raras, com foco na análise de dados e na melhoria da eficiência operacional.
Por que isso é importante?
A procura por terras raras cresce em todo o mundo porque esses minerais são essenciais para a fabricação de tecnologias ligadas à transição energética e à transformação digital.
Por isso, novas soluções que tornem seu processamento mais eficiente podem ajudar a ampliar a produção, reduzir custos e fortalecer a cadeia de fornecimento desses minerais estratégicos, cada vez mais importantes para a economia global.
Fonte: Revista Mineração









