Novo método pode facilitar a extração de terras raras a partir do carvão
05 Fev 2026


Divulgação: Alyssa Stone_Universidade Northeastern
As chamadas terras raras são minerais muito importantes para o mundo moderno. Elas são usadas na fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, celulares, computadores e ímãs de alta potência. Sem esses elementos, muitas tecnologias do dia a dia simplesmente não funcionariam.
Apesar do nome, as terras raras não são tão raras assim na natureza. O maior desafio está em outro ponto: retirá-las da rocha de forma eficiente, barata e com menor impacto ambiental.
Pensando nisso, cientistas dos Estados Unidos desenvolveram um novo método que pode facilitar a extração de terras raras a partir de rejeitos da mineração de carvão, materiais que hoje são tratados como lixo industrial.
O que são terras raras?
Terras raras é o nome dado a um grupo de 17 elementos químicos. Em termos simples, são minerais com propriedades especiais que permitem produzir equipamentos mais eficientes, leves e potentes. Por isso, eles são estratégicos para a indústria e para a transição energética.
O que são rejeitos do carvão?
Os rejeitos do carvão são os resíduos que sobram depois do processamento desse mineral. Eles são formados por:
- rocha moída;
- água;
- pequenas partículas de carvão.
Normalmente, esse material é descartado em aterros para evitar contaminação do solo e da água. No entanto, estudos mostram que esses rejeitos podem conter terras raras em pequenas quantidades, o que abre a possibilidade de reaproveitamento.
Como funciona o novo método?
O método desenvolvido pelos pesquisadores acontece em duas etapas principais, explicadas de forma simples:
- Aquecimento em solução alcalina
Primeiro, os rejeitos do carvão são misturados a uma solução química básica (alcalina) e aquecidos com micro-ondas.
Esse processo muda a estrutura da rocha, deixando o material mais “aberto”, com pequenos espaços internos. - Separação com ácido
Depois, o material passa por um tratamento com ácido nítrico, uma substância capaz de separar as terras raras do restante da rocha.
Como a estrutura já foi modificada na etapa anterior, essa separação se torna mais eficiente.
Em outras palavras, o método prepara o material antes da extração, facilitando a retirada dos minerais desejados.
Por que esse método é importante?
As técnicas usadas anteriormente tinham dificuldade em retirar as terras raras porque elas ficavam “presas” dentro da rocha.
Com o novo processo, a rocha se torna mais porosa, ou seja, com mais espaços internos, o que facilita a extração.
Segundo os pesquisadores, essa mudança estrutural é o principal avanço da técnica.
Quais são os desafios?
Apesar dos resultados positivos, o método ainda enfrenta algumas limitações:
- custo elevado, o que dificulta o uso em larga escala;
- variação na composição dos rejeitos, já que nem todo carvão possui os mesmos minerais;
- o processo é focado nas terras raras e não aproveita outros elementos presentes no rejeito, como o magnésio.
O que essa descoberta representa?
Mesmo com esses desafios, a pesquisa representa um passo importante na busca por formas mais eficientes de obter terras raras, especialmente a partir de materiais que hoje são descartados.
Além de ajudar no aproveitamento de resíduos da mineração, o avanço pode contribuir para reduzir a dependência de novas minas, tornando o processo mais sustentável no futuro.
Fonte: Metrópoles









