Diamante: Brasil precisa fazer uma melhor avaliação das fontes primárias desse bem mineral

12 Jul 2021

O diamante é uma das pedras preciosas mais desejadas e comercializadas no mundo todo. Assim como se destaca no setor de joias, o diamante tem múltiplos usos como na aplicação em próteses ósseas, telas de LCD, ferramentas de corte e perfuração, dentre outras. O Brasil já foi um produtor destacado, mas perdeu espaço no mercado internacional.

Segundo historiadores, a referência mais antiga ao diamante está em um manuscrito sânscrito, na Índia, do século IV AC. No Brasil, o diamante foi descoberto em meados do século XVIII. Com a exaustão das minas de diamantes na Índia, o Brasil se tornou a principal fonte mundial da pedra durante os 150 anos seguintes. Com o tempo e o descobrimento de novas minas em países como Rússia, Austrália, Canadá, África do Sul, Botswana e Angola, o Brasil perdeu importância neste mercado.

Atualmente o comércio internacional de diamantes tem regras claras: o país produtor e as empresas precisam certificar a origem da produção de diamante, chancelando a garantia das pedras. Essa certificação de origem, conhecida pela sigla CPK – Certificado Processo Kimberley, visa evitar a comercialização de diamantes provenientes de zonas de conflitos, evitando que eles sejam os financiadores – direta e indiretamente – de guerras ou outros tipos de conflitos, inclusive contra os governos legitimamente instituídos.

Segundo dados do site The Kimberley Process Rough Diamond Statistics referente à produção de 2020,sete países produzem 94,4% dos diamantes brutos exportados no mundo: Rússia – 29,1%, Botswana – 15,8%, Canadá – 12,2%, Austrália – 10,2%, Angola – 7,2%, África do Sul – 7,9% e República Democrática do Congo – 11,9%. O Brasil foi o 14° maior produtor de diamantes brutos, representando 0,12% do mercado mundial.

Para Christian Schobbenhaus, geólogo e vice-presidente da Lipari Mineração, o país tem grande potencial para o desenvolvimento de outras minas em fonte primária. “A pesquisa de diamantes e avaliação de alvos é uma atividade custosa, além de haver alto grau de incertezas. Novas minas de diamante dependem de investimentos robustos em pesquisa e de uma boa avaliação dos alvos escolhidos”, explica.

A Lipari Minieração está localizada no município de Nordestina, no semiárido baiano, e produz 86% de todos os diamantes brutos exportados pelo Brasil

Diamantes – crédito: Lipari Mineração

 

Como é feita a exploração dessa pedra preciosa?

 

Segundo Christian Schobbenhaus, existem duas fontes conhecidas em que diamantes podem ser explorados economicamente: as fontes primárias e as fontes secundárias. “A fonte primária é oriunda das rochas vulcânicas formadas no manto terrestre, conhecidas como kimberlitos e, em menor número, lamproítos. Nessas rochas estão os principais depósitos de diamantes conhecidos. As fontes secundárias ocorrem em aluviões de rios ou rochas provenientes desses aluviões, conhecidos como conglomerados. Os diamantes encontrados nas fontes secundárias, têm como origem a erosão dos kimberlitos e lamproítos que, durante milhões de anos, formaram depósitos pequenos e erráticos”, explica.

Descobertas de novas jazidas em solo nacional

 

O Brasil tem um bom conhecimento dos seus principais depósitos secundários de diamantes e um vasto banco de dados de kimberlitos já descobertos. “No entanto, uma correta avaliação das fontes primárias precisa ser feita”, analisa o geólogo e vice-presidente da Lipari Mineração.

Ele explica que para o desenvolvimento de uma fonte primária é preciso entender bem o contexto geológico e isso é importante para a seleção de alvos.

“Nem todos os kimberlitos contêm diamantes, ou contêm diamantes em quantidade economicamente viável para exploração. Alguns levantamentos indicam que há 6.400 kimberlitos descobertos no mundo, sendo 900 diamantíferos e, destes, pouco mais de 30 possuem ou possuíram quantidade suficiente de diamantes, para uma exploração comercial e se tornaram minas”, conta.

Christian Schobbenhaus explica que no Brasil existem ou existiram depósitos importantes de diamante em fontes secundárias, no entanto as fontes primárias desses depósitos ainda não foram descobertas ou corretamente avaliadas. O Brasil tem grande potencial para desenvolver novos depósitos em fontes primárias, exigindo maiores investimentos em pesquisa e principalmente em avaliações adequadas dos kimberlitos.

​​​​​​​“A partir do alvo definido, uma série de trabalhos deve ser realizada, como: amostragem de rocha para análise geoquímica de minerais indicadores; sondagem para delimitação preliminar do kimberlito e descrição petrográfica, análise de micro diamantes”, afirma.

Segundo ele, após os resultados dos trabalhos preliminares, a próxima etapa necessita de novos e maiores investimentos em busca de resultados preliminares de teor. “Nessa etapa é necessário uma amostragem de grande volume do kimberlito. O objetivo é a definição do teor do depósito e também a avaliação do valor médio do quilate dos diamantes recuperados. Mais sondagem deverá ser feita, para definição de volumes e modelamento geológico”, diz.

Principal mercado de diamantes

 

O principal mercado do diamante, em termos de valor, é o mercado de joias. Ele garante que todo o investimento na exploração de depósitos de diamantes tenha retorno.

Christian Schobbenhaus explica que nem todo diamante é classificado como gema e esse diamante sem valor no mercado de joias é utilizado, geralmente, em outras indústrias. “Por serem tão duros, eles são usados em furadeiras e em outras ferramentas utilizadas para cortar materiais sólidos e resistentes. Também podem ser aplicados para tratamento de água, células solares, microeletrônica, etc”.

 

Sobre a mina da Lipari Mineração

Em 2005, a Lipari Mineração iniciou um projeto para avaliar kimberlitos descobertos nos anos 90, no estado da Bahia. Depois de dez anos de pesquisas e avaliações, em 2016, a primeira mina em fonte primária da América do Sul foi aberta.

A mina de diamantes Braúna entrou em produção comercial em julho de 2016 e até 31 de março de 2021 produziu 862.411 quilates de diamantes naturais, a partir do processamento de aproximadamente 4,1 Milhões de toneladas (Mt) de kimberlito em um teor médio recuperado de diamante de 21,2 cpht.

*cpht é a sigla para o termo em inglês “Carats Per Hundred Tons”, ou seja, quilates por cem toneladas. É utilizada para medir o teor da produção de diamantes.

 

Descubra mais informações sobre os minerais presentes no nosso planeta no ABC da Mineração.

diamante
indústria
joias
mercado
mineração
mineradora
minério
setor mineral