O que é ESG da Mineração?

13 Dez 2021

A expectativa é que a adoção de boas práticas ESG promovam ainda mais o desenvolvimento sustentável da mineração do Brasil 

Você sabe o que significa ESG? Esta é a sigla em inglês para “environmental, social and governance” usada para se referir às melhores práticas ambientais, sociais e de governança de um negócio. Ser conhecido no mundo dos negócios por cuidar do meio ambiente, promover um impacto positivo na sociedade e adotar uma conduta corporativa ética se tornou o objetivo das organizações. 

O termo surgiu pela primeira vez oficialmente em 2004, em uma publicação chamada “Who Cares Wins”, que em português quer dizer algo como “quem se importa vence”. O documento foi pedido pelo secretário da Organização das Nações Unidas (ONU) na época, Kofi Annan, para que instituições financeiras incorporassem princípios sociais, ambientais e de governança em suas análises de investimento.   

Na época, 20 instituições financeiras de 9 países diferentes – incluindo do Brasil – se reuniram para desenvolver diretrizes e recomendações sobre como incluir questões ambientais, sociais e de governança na gestão de ativos, serviços de corretagem de títulos e pesquisas relacionadas ao tema. A conclusão do relatório foi que a incorporação desses fatores no mercado financeiro gerava mercados mais sustentáveis e melhores resultados para a sociedade.

Nos últimos anos, fatores como maior consciência do mundo corporativo, pressão da sociedade por melhores práticas e interesse e valorização do mercado financeiro, tem alavancado as boas práticas do ESG no mercado empresarial. Pode-se destacar também que dois eventos mundiais fizeram com que o tema sustentabilidade ganhasse ainda mais tração no mercado internacional: A Agenda 2030 da ONU, que estabeleceu os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e o Acordo de Paris. 

Agenda ESG da Mineração 

Em 2019 o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM)e representantes do setor mineral se reuniram para promover uma transformação da indústria da mineração. O objetivo era estabelecer novas metas, principalmente, nos processos e técnicas, nas relações com as pessoas e com a natureza. 

Após uma profunda discussão, foi apresentada, em setembro de 2019, a Carta Compromisso do IBRAM Perante a Sociedade’. Este documento trouxe as bases do início da transformação da mineração brasileira. São compromissos que o setor assume publicamente, em nome dos quais estão sendo organizados diversas ações, planos e metas, de modo a permitir à sociedade conhecer e acompanhar, com transparência e objetividade, a evolução das atividades empresariais minerárias legalizadas em território brasileiro. 

A agenda ESG da Mineração do Brasil representa um estágio de avanço em relação à Carta Compromisso do IBRAM Perante a Sociedade’. O documento estabeleceu pilares de ações a serem adotadas pelas mineradoras para melhorar seus indicadores em 12 áreas:

Segurança operacional, barragens e estruturas de disposição de rejeitos, saúde e segurança ocupacional, mitigação de impactos ambientais, desenvolvimento local e futuro dos territórios, relacionamento com comunidades, comunicação e reputação, diversidade e inclusão, inovação, água, energia e gestão de resíduos.

“Somos o primeiro setor que lança uma ampla agenda ESG. É uma demonstração muito forte dos compromissos que o setor tem com as novas posturas que o mundo está nos demandando. Desejo que as dezenas de profissionais e especialistas em mineração se mantenham motivados a continuar neste esforço e que todos sejam, em suas organizações, defensores do nosso ESG. Queremos que a sociedade reconheça a mineração como fator de desenvolvimento socioeconômico de nosso país”, disse Wilson Brumer, presidente do Conselho Diretor do IBRAM.

Entre as metas de ESG da Mineração do Brasil anunciadas estão várias consideradas audaciosas por especialistas no setor mineral  “A adoção das boas práticas de ESG é uma demanda global. Organizações – e setores – que não estiverem compromissados no sentido da ampla sustentabilidade de seus negócios, estarão fadados a sucumbirem, abrindo espaço para concorrentes conectados com as novas demandas. A indústria mineral está seriamente comprometida e agindo em prol de uma grande transformação de seus processos”, afirma o diretor-presidente do IBRAM, Flávio Ottoni Penido.

Dezenas de empresas e centenas de profissionais e especialistas em mineração e em outros campos se engajaram nesse esforço em prol da agenda ESG. O envolvimento acontece em praticamente todos os níveis hierárquicos de cada organização. Grupos de trabalho por assunto foram organizados e todo o trabalho é sistematizado com apoio da experiente Falconi Consultoria. 

Os GTs se reúnem periodicamente, estabelecem compromissos e metas relacionados a cada tema e, na visão do IBRAM, estas definições influenciarão todo o comportamento de cada mineradora atuante no Brasil, bem como a própria legislação e normas regulatórias. “Ao final, o IBRAM pretende que todas as organizações do setor mineral tenham em mãos um verdadeiro guia de como será a mineração do futuro, um excelente instrumento para planejar os negócios ao longo dos muitos anos à frente”, ressalta Penido. 

Com informações da Folha de São Paulo e Udop 

 

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