Pavimentação de estradas com rejeitos de mineração melhora vias em Mariana

04 Jan 2021

Pavimento de baixo custo e alta durabilidade é uma solução inovadora desenvolvida pela startup EcoMud com o apoio da Samarco que está sendo testada em Mariana

O aproveitamento de rejeitos de mineração na construção civil é uma realidade. Em Mariana (MG), serão realizados testes a partir da utilização de lama em 10,5 quilômetros de estradas vicinais nas localidades de Constantino, Cuiabá e Goiabeiras, com o desenvolvimento de um pavimento de alta durabilidade e baixo custo. Esta solução foi possível por meio do Desafio MinerALL, uma iniciativa da Samarco criada para modelar negócios e promover soluções capazes de direcionar o aproveitamento de rejeitos de maneira sustentável, para outros mercados.

Os trechos a serem pavimentados são Cuiabá (4,9), Constantino (2,5 km) e Goiabeiras (3,10 km). Os testes de pavimentação com solução desenvolvida pela startup EcoMud já tiveram início e cerca de 15 mil toneladas de lama para a pavimentação dos trechos serão utilizadas.

O rejeito é a sobra do processo de beneficiamento do minério de ferro. Na Samarco são gerados dois tipos de rejeito: o arenoso, composto basicamente por areia, água e óxidos ferro em menor proporção; e a lama, que é um rejeito bem fino, rico em óxidos de ferro, água e areia em menor proporção.

Sócio da EcoMud, Vitor Hugo explica que antes de iniciar a pavimentação dos trechos definidos pela prefeitura de Mariana, um teste realizado numa extensão de 400 metros no Complexo de Germano, unidade da Samarco no município, apontou a resistência e durabilidade da tecnologia desenvolvida pela startup. “Identificamos que o produto formado por lama e um ligante possui alta resistência garantindo, além da alta durabilidade, a redução nos custos de construção e rapidez na execução da obra. Agora, iniciamos a etapa de testes em escala maior nestas três localidades”. Vitor lembra que o custo deste tipo de pavimentação é cinco vezes menor se comparado à pavimentação asfáltica convencional.

Além do baixo custo, a solução desenvolvida se torna sustentável devido ao aproveitamento de grande quantidade de rejeito, preserva o aspecto natural do solo e proporcionará melhores condições de vida aos cerca de 800 moradores das comunidades de Constantino, Goiabeiras e Cuiabá.

“A utilização do rejeito para pavimentação contribui para o meio ambiente, infraestrutura e qualidade de vida das comunidades, reduzindo o impacto na natureza e a necessidade de manutenção por ser de alta resistência, além de manter as características do trecho da estrada vicinal”, pontuou Vitor Hugo.

Inovação aberta

O projeto de inovação aberta e empreendedorismo Desafio MinerALL, conduzido pela Samarco possui relação direta com compromissos da empresa: o aproveitamento do rejeito proveniente do beneficiamento do minério de ferro, previsto em seu Plano de Aproveitamento Econômico (PAE), e a atração de negócios a partir dos rejeitos; o fortalecimento do ecossistema de gestão e de empreendedorismo; e o apoio à diversificação econômica de Ouro Preto e Mariana, relacionado ao Programa de Apoio à Diversificação Econômica (PADE).

Para Alessandra Prata, engenheira especialista da Samarco e líder do Desafio MinerALL, um dos principais objetivos é buscar de forma colaborativa o desenvolvimento de soluções de negócios para aproveitar os rejeitos de forma a causar impactos positivos na região mineradora e garantir sustentabilidade ao setor minerário. “Buscamos construir uma ponte entre as tecnologias e o mercado por meio do empreendedorismo universitário, como uma forma de gerar e compartilhar conhecimento, bem como envolver toda a cadeia produtiva da mineração. Pensamos em soluções não só para o setor, mas para a sociedade em geral”, finalizou.

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