Pesquisadores brasileiros divulgam projetos desenvolvidos com nióbio

25 Out 2021

Bateria que recarrega carros elétricos em até 6 minutos e spray anti-covid para as mãos são novidades da indústria brasileira 

Você sabia que o Brasil é o maior produtor de nióbio do mundo, com cerca 90% do mercado na produção desse metal? Investimentos na  mineração do nióbio, coloca o Brasil à frente no desenvolvimento de alguns projetos tecnológicos, principalmente na área de transição energética e processo de economia de baixo carbono. 

O nióbio é um metal que foi descoberto em 1801, pelo inglês Charles Hatchett e começou a ser utilizado em uma escala maior a partir da década de 50 para melhorar as propriedades de aço. O metal ainda tem um papel importante na siderurgia, mas a indústria brasileira vem desenvolvendo projetos pioneiros em outras com a utilização no nióbio. 

Bateria à base de nióbio 

Seis minutos. Esse é o tempo que vai levar para carregar a bateria de um carro elétrico feita à base de nióbio, desenvolvida pela Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) em parceria com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM). As empresas formalizaram em outubro um acordo para a produção da bateria. 

Com tecnologia 100% brasileira, o empreendimento é fruto de quase quatro anos de pesquisa no Japão, em parceria com o conglomerado de tecnologia da Toshiba. De acordo com a Volkswagen, os primeiros veículos a utilizarem as baterias à base de nióbio são os ônibus elétricos, fabricados pela empresa, já que são utilitários maiores e contam com trajetos programados, necessitando de carregamento rápido. 

A previsão é que os testes dos veículos sejam realizados no ano que vem e que o modelo funcional do veículo elétrico com uso de baterias à base de nióbio esteja em funcionamento até o final de 2022. 

Spray anti-Covid para as mãos à base de nióbio 

Innib 41 promete uma proteção de 24 horas contra o vírus do Covid e mais 18 tipos de bactérias resistentes. Crédito: Divulgação.

Desenvolvido por cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o spray anti-Covid para as mãos, Innib 41, foi produzido a partir de uma molécula desenvolvida antes da pandemia. O produto promete uma proteção de 24 horas contra o vírus do Covid e mais 18 tipos de bactérias resistentes. 

O spray foi criado, principalmente, para facilitar a higienização das mãos com maior frequência. Por conter uma baixa concentração de nióbio, ele não é tóxico, e pode ser utilizado até por crianças. 

O Innib 41 está em fase de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma parte do projeto foi financiada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que investiu cerca de R$500 mil por meio de um edital específico de combate à Covid. A produção do produto para comercialização só terá início após a liberação pela agência. Para essa fase, a startup Nanonib, responsável pelo projeto, contará com outros investidores, além do Ministério. 

Sobre o nióbio

Descoberto a partir de estudos do mineral columbita, o nióbio é um elemento de ocorrência natural, embora não seja encontrado de forma livre na natureza, mas sim em minerais, como a columbita e tantalita. Ele é um metal macio, seguro e disponível, além de ser dúctil, maleável e altamente resistente à corrosão. Por sua característica de aprimorar propriedades e funcionalidades, o nióbio é usado em uma grande variedade de materiais para dar mais resistência. 

Devido sua capacidade de transformar as propriedades de outros materiais, as propriedades do nióbio tem hoje inúmeras utilidades como por exemplo em carros, turbinas de aeronave, estruturas de pontes e edifícios, aparelhos de ressonância magnética, instrumento de marcapasso, sondas espaciais, foguetes, tubulações de gás, componentes eletrônicos e baterias.

No Brasil são encontradas as maiores reservas de nióbio do planeta. O país também é responsável pela maior fatia de comercialização desse metal. Segundo dados da Agência Nacional de Mineração, existem onze produtoras de minério de nióbio, sendo associadas do IBRAM a CMOC e a CBMM, que juntas respondem por 95% da produção brasileira em Goiás e Minas Gerais, respectivamente. Foi em 1965 que o governo federal autorizou a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) a explorar as reservas de nióbio de Araxá. O governo de Minas Gerais, através da Codemig, possuía uma concessão para exploração da mina contígua à da CBMM.

Com informações da Folha de São Paulo e do site Click Petróleo e Gás

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